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Blumenau, a cidade mais Classe C de SC

Blumenau, a cidade mais Classe C de SC

CARLOS TONET
Ex-editor de polícia do Santa não sofisticado

 

 

Blumenau é a mais Classe C de todas as grandes cidades de SC.

A informação está na última edição da revista Blumenau em Cadernos, num artigo das jornalistas Raquel Bauer e Rosiméri Laurindo.

Rosiméri é coordenadora do curso de jornalismo da Furb.

Raquel fez um TCC sobre a história do Jornal de Santa Catarina.

O artigo traz uma informação totalmente nova para mim, algo que eu nunca havia ouvido falar.

Na página 50, o ex-editor chefe do Santa, Edgar Gonçalves, relata que no ano de 2002 o jornal fez uma pesquisa para orientar uma nova linha editorial, focada somente em Blumenau, já que o jornal não atingia sua meta de ser influente regionalmente.

Disse Gonçalves:

“Havia uma falsa impressão de que Blumenau era um mercado com muitos leitores, que o jornal não podia tecer muito sua cobertura para assuntos como novela ou coisas mais populares e se constatou o contrário, Blumenau é uma cidade predominantemente C. De todos os mercados onde a RBS atuava, a maior predominância de Classe C era Blumenau”.

A partir daí, diz o Edgar, o Santa resolveu assumir algumas características dos blumenauenses, como ser ranzinza.

 

 

CONTEXTO

Sempre tive a impressão de que Blumenau é Classe C.

Basta ver o perfil do comércio com sua pouca variedade e a profusão de Havans, as casas noturnas, as opções de lazer, os restaurantes.

Também se nota isso na efêmera vida de estabelecimentos que apostam no público descolado.

O que eu desconhecia era uma pesquisa nesse sentido.

Mesmo tendo sido feita em 2002, ela com certeza vale para agora.

Aliás, com a expansão da Classe C a partir dos governos do PT, é bem possível que esse perfil tenha se consolidado ainda mais.

Observe-se que isso é um fator positivo, pois uma classe C forte é que impulsiona a economia.

Ruim é quando as classes D e E predominam.

A impressão de que Blumenau seria uma cidade preponderantemente A e B se dá pelo motivo de que essas duas classes são povoadas de integrantes ruidosos, que opinam bastante e se manifestam sobre os assuntos da cidade.

Sempre foram eles a escrever artigos e cartas do leitor ao Santa, sempre foram eles que telefonavam ou visitavam a redação sugerindo isso ou aquilo.

 

 

VÍTIMA DE SUA PRÓPRIA QUALIDADE

Apesar de, como diz Edgar, ter acertado no diagnóstico, o Santa na verdade errou na receita.

As mudanças nunca conseguiram dar ao jornal uma cara mais C, mais próxima do blumenauense médio.

O Santa sempre manteve um time de colunistas sofisticados: Cristiano Santos, Fabrício Cardoso, Gervásio, Anamaria Kovacks, Cezar Zillig.

Sua colunista social até hoje se restringe às figuras da alta sociedade.

Pancho e Pedro Machado fazem um trabalho de alta qualidade, interagem com empresários.

Cao Hering é sofisticado em seus cartuns. Seus impecáveis textos repletos de ótimas referências pop são consumíveis apenas por um núcleo muito pequeno de leitores.

Não há colunistas populares como os que se vê em jornais de outras cidades, que verdadeiramente atingem o coração da Classe C.

O noticiário policial tem destaque secundário como sempre foi.

O Santa sempre manteve um ótimo padrão redacional, com perfil profissional e até hoje é um veículo voltado para os públicos A e B, talvez os mais propensos a trocá-lo por outras plataformas, fontes e formatos.

O jornal já teve 60 pessoas na redação, hoje tem cinco ou seis, é editado e impresso em Florianópolis e viu sua circulação encolher drasticamente.

Com base na história da tal pesquisa, poder-se-ia dizer que o Santa acabou vítima da própria qualidade.

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