ECONOMIA

Com a Selic a 15%, economista de SC fala sobre oportunidades de investimentos

18/09/2025 16:30:00

Com a Selic a 15%, economista de SC fala sobre oportunidades de investimentos

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano na reunião desta quarta-feira, 17.

Com isso, confirmou-se a expectativa do mercado de que os juros brasileiros permanecerão elevados por mais tempo.

Pelo relatório Focus essa probabilidade está próxima de 80%.

O próprio Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou que o corte de juros deve se iniciar nos próximos meses.

Para os investidores, a pergunta que fica é: qual caminho seguir? Quais produtos de investimento priorizar neste momento?

Para Fabricio Voigt, economista da gestora de patrimônio Aware Investments, que possui escritório em Blumenau e em outras cidades brasileiras, os títulos públicos indexados à taxa Selic e os títulos pós-fixados curtos permanecem mais atrativos com a Selic a 15%.

“Títulos prefixados refletem a Selic atual e suas expectativas de queda. Um exemplo é o próprio Tesouro Prefixado 2028 que já opera em 13,16% a.a. na atualização mais recente – portanto, investimentos nessa modalidade podem apresentar retornos compatíveis com a estratégia de médio prazo, embora haja risco de desvalorização caso não ocorra a queda nas taxas futuras da Selic, como o esperado”, afirma.

Já os títulos atrelados à inflação constituem alternativas de diversificação, atuando como ferramenta de proteção à inflação, mas tendem a ser mais sensíveis trazendo mais volatilidade ao portfólio.

“Assim, devem ser usados como opções de investimentos de longo prazo”, diz Voigt.

Para a Bolsa, o economista da Aware Investments diz que o custo de capital segue elevado, pressionando setores dependentes de crédito e consumo – logo, a busca por setores exportadores e empresa de commodities tendem a se beneficiar principalmente como câmbio ainda elevado.

Já setores de varejo e consumo seguem com baixa recomendação para alocações.

“Quando usamos essa ótica para análise de crédito privados (debêntures, CRAs, CRIs) devemos buscar essa mesma métrica de setor, mas acrescentar na análise empresas que tenham capacidade de repassar o custo da inflação no produto final. Um bom exemplo são as empresas de commodities alimentícios, pois dificilmente as pessoas podem escolher parar de se alimentar (em tese) mesmo como preço mais elevado do alimento. E então empresas de serviços sofrem mais, pois há uma substituição natural de fazer a comida em casa e não ir ao restaurante”, comenta.

Por fim, como ficam as estratégias de alocação fora do Brasil?

Com o dólar em queda e corte de juros nos Estados Unidos, Fabricio Voigt diz que os setores mais adequados são o de tecnologia e consumo discricionário (bens duráveis, turismo, entretenimento), pois tendem a se beneficiar dos cortes de juros.

“Títulos públicos americanos acabam perdendo um pouco a atratividade, o que causa uma migração natural para ativos em Bolsa, e ajuda a aumentar a valorização dos ativos negociados destes setores”, finaliza.





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