ENERGIA

Informação ainda é principal barreira para geração distribuída compartilhada no Brasil

27/05/2026 10:00:00

Sem necessidade de instalação de painéis solares, consumidores podem acessar energia solar e gerar economia média de 19% na fatura 

Informação ainda é principal barreira para geração distribuída compartilhada no Brasil

O mercado brasileiro de geração distribuída compartilhada segue em expansão acelerada. Apenas nos primeiros meses de 2025, o Brasil adicionou mais de 5 GW em sistemas de micro e minigeração distribuída (MMGD), ultrapassando 42 GW de potência instalada em operação, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Atualmente, mais de 5,4 milhões de unidades consumidoras brasileiras já são beneficiadas pelo modelo, consolidando o setor como uma das principais frentes de expansão da matriz elétrica nacional.

Apesar do avanço, a percepção do consumidor ainda permanece fortemente ligada ao modelo tradicional de placas solares próprias.

“Ainda não existe, no Brasil, uma cultura de falar sobre o mercado de energia e suas possibilidades, especialmente para a população em geral. Por isso, quando as pessoas chegam até nós, a maioria acredita que instalar painéis fotovoltaicos é a única forma de reduzir a conta de luz”, explica Giovanna Bandeira, diretora comercial da Nex Energy, empresa especializada em geração distribuída compartilhada de energia com atuação em Santa Catarina.

A modalidade de geração distribuída compartilhada é regulamentada pela ANEEL dentro das regras de micro e minigeração distribuída. No modelo, os consumidores recebem créditos de energia provenientes de usinas solares já conectadas à rede elétrica, sem necessidade de instalação física no imóvel.

Segundo a Nex, a economia média gerada para os clientes é de 19% na conta de energia, com início do benefício em aproximadam ente 90 dias.

Ainda assim, a companhia identifica que as principais dúvidas dos consumidores continuam relacionadas à legalidade do modelo, ao funcionamento prático da compensação de créditos e à necessidade de instalação de equipamentos.

A empresa possui mais de 5 mil clientes ativos em estados como Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. Entre os segmentos que mais aderem ao modelo estão condomínios comerciais e residenciais, restaurantes, supermercados, centros logísticos, academias, petshops, escolas, hotéis, hospitais e empresas do agronegócio. Serviços representam 52% da carteira da companhia, seguidos pelo comércio, com 37%.

Para Giovanna Bandeira, o crescimento da geração distribuída compartilhada está diretamente ligado à busca de consumidores e empresas por previsibilidade de custos em meio ao aumento recorrente das tarifas de energia elétrica.

“Existe uma percepção muito forte de que só consegue economizar quem investe em um sistema próprio. O que vemos no dia a dia é que muitas empresas querem reduzir custos, mas não querem assumir financiamentos longos, obras ou depender de estrutura física disponível”, afirma.

O investimento médio para instalação de placas solares varia entre R$ 15 mil e R$ 30 mil para residências e pode ultrapassar R$ 100 mil no segmento empresarial, dependendo do consumo e do porte da operação. O retorno financeiro costuma ocorrer entre três e oito anos.

O avanço da geração distribuída compartilhada também acontece em um momento mais desafiador para o setor solar. Levantamentos da ABSOLAR apontam que os investimentos no mercado recuaram 40% em 2025, refletindo maior cautela de consumidores e empresas diante do cenário econômico e das dificuldades de conexão e financiamento.

Com o avanço das tarifas de energia e a busca crescente por alternativas mais previsíveis de consumo, a tendência é que modelos de geração distribuída compartilhada ganhem espaço no mercado brasileiro nos próximos anos. Para a Nex Energy, o desafio do setor agora passa menos pela tecnologia e mais pela disseminação de informação sobre formatos de acesso à energia solar além das placas instaladas no próprio imóvel.





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