EVOLUÇÃO

De cidade industrial a polo de tecnologia: como Blumenau mudou nas últimas décadas

01/09/2026 22:35:00

No aniversário de 176 anos, trajetória da ProWay ajuda a contar a transformação econômica da cidade, dos teares à inteligência artificial

De cidade industrial a polo de tecnologia: como Blumenau mudou nas últimas décadas

Blumenau completa 176 anos em 2 de setembro com uma história profundamente ligada à indústria, especialmente à produção têxtil. Nas últimas décadas, porém, a cidade ampliou sua vocação econômica: a tecnologia, que começou como ferramenta dentro das fábricas, tornou-se um dos motores de desenvolvimento do município. A trajetória do Grupo ProWay, fundado em Blumenau em 1995, agora com 31 anos de história recentemente completados, acompanha essa transformação.

A ORIGEM NA INFORMATIZAÇÃO E A TRANSIÇÃO TÊXTIL

Quando Sérgio José Tomio criou a empresa, a informatização começava a mudar a rotina das empresas. Ele já trabalhava com treinamentos corporativos e identificava uma nova demanda: profissionais preparados para utilizar computadores, planilhas eletrônicas e ferramentas de produtividade.

"O Windows estava começando, novas ferramentas estavam surgindo e havia uma demanda por profissionais que soubessem efetivamente utilizá-las. Foi aí que nasceu a ideia de uma empresa focada em treinamentos profissionais", conta.

A aposta coincidiu com um período de mudanças na economia local. A indústria têxtil, tradicional força de Blumenau, passou a enfrentar a concorrência internacional, enquanto profissionais especializados em tecnologia deixavam as grandes empresas e começavam a empreender. O movimento tinha raiz dentro das próprias fábricas: grandes empresas do setor têxtil, diante da complexidade de processos como produção, estoque e logística em larga escala, mantinham estruturas robustas de processamento de dados, que ajudaram a formar parte da primeira geração de profissionais de TI da cidade. Com as transformações do setor, muitos desses profissionais levaram esse conhecimento para fora das indústrias e passaram a atuar em novos negócios de tecnologia.

Para Tomio, esse movimento mostra que indústria e tecnologia não são histórias separadas. "A indústria têxtil sempre investiu muito em tecnologia. Existiam grandes estruturas de processamento de dados e muitos profissionais especializados. Quando essas estruturas começaram a se transformar, muitas dessas pessoas saíram das indústrias e criaram suas próprias empresas."

FORMAÇÃO DE TALENTOS E DIVERSIFICAÇÃO

A expansão do setor tecnológico trouxe também um novo desafio: formar profissionais e dar institucionalidade a esse ecossistema nascente. Já em 1992, a criação da Blusoft - o Polo Tecnológico de Informação e Comunicação da Região de Blumenau - reuniu universidades como a FURB, poder público municipal e empresários em torno de uma agenda comum para acelerar o setor. Foi nesse ambiente que a ProWay participou de iniciativas como o Entra21, criado para aproximar jovens do mercado de tecnologia, formando gratuitamente milhares de programadores e atendendo a uma demanda por mão de obra qualificada que crescia em ritmo acelerado.

Tomio liderou o programa durante 18 anos e considera que iniciativas desse tipo, somadas à articulação institucional em torno da Blusoft, contribuíram para a diversificação econômica de Blumenau e para a atração e consolidação de empresas na cidade.

O resultado foi uma economia que passou a reunir sua tradição industrial com empresas de tecnologia, serviços, universidades e novos negócios, um ecossistema que hoje leva Blumenau a ser tratada, informalmente, como um dos "vales" tecnológicos do Sul do país.

O PRÓXIMO CAPÍTULO

Agora, o executivo participa de outra frente que pode marcar uma nova etapa dessa transformação: o Distrito de Inovação de Blumenau.

Inspirado em experiências como o 22@Barcelona, o projeto prevê uma área de aproximadamente 200 hectares na região central da cidade, reunindo empresas, universidades, governo e sociedade civil. Tomio esteve em Barcelona em 2024 para conhecer o modelo e, desde então, atua na articulação da proposta em Blumenau.

"O Distrito de Inovação não é uma coisa tecnológica. Ele precisa envolver também as empresas tradicionais. A ideia é aproximar as empresas de base tecnológica das empresas que já fazem parte da economia de Blumenau", explica.

O projeto avançou em 2026 e conta com a perspectiva de R$ 60 milhões em investimentos do Governo do Estado. A proposta é que a governança reúna quatro setores: governo, empresas, academia e sociedade civil.





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