CRÉDITO

Microcrédito cresce mais de 55% no Brasil e deve ultrapassar R$ 2 bilhões em 2026, projeta ABCRED 

23/04/2026 19:04:00

Setor amplia alcance entre pequenos empreendedores e reforça papel na geração de renda e inclusão econômica 

Microcrédito cresce mais de 55% no Brasil e deve ultrapassar R$ 2 bilhões em 2026, projeta ABCRED 

O microcrédito no Brasil registrou um avanço expressivo em 2025 e consolidou-se como uma das principais ferramentas de inclusão produtiva no país. 

Dados da Associação Brasileira de Entidades Operadoras de Microcrédito e Microfinanças (ABCRED) indicam que o valor emprestado ultrapassou R$ 1,9 bilhão no período, um crescimento de 57% em relação a 2024. 

O número de clientes ativos chegou a cerca de 238 mil (+53%), enquanto a carteira ativa avançou 55%.  

Parte do crescimento reflete a entrada de uma nova instituição na base da ABCRED, o que impacta a comparação anual. Ainda assim, o setor registra crescimento em torno de 25%, indicando expansão consistente das operações. 

A presidente da ABCRED, Isabel Baggio, diz que o avanço é resultado do amadurecimento das instituições e da busca crescente por crédito orientado:

“Houve evolução na estrutura das IMFs, com equipes mais preparadas e uso de tecnologia, o que aumentou a eficiência. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por um crédito que inclui orientação, apoio técnico e educação financeira, o que fortalece a relação com os empreendedores e mantém a inadimplência em torno de 4%, abaixo da média do sistema financeiro”, afirma.  

A tendência é de continuidade. A entidade projeta que a carteira total das instituições associadas deve superar R$ 2 bilhões em 2026, impulsionada pelo avanço do empreendedorismo como alternativa de renda e pela consolidação do modelo de microcrédito produtivo orientado. Nesse cenário, mudanças recentes na legislação das microfinanças também devem ampliar o alcance do setor. A Lei 15.364, sancionada em março deste ano, permite que até 20% da carteira das instituições seja direcionada a áreas como moradia, saneamento, saúde e educação, abrindo novas frentes de atuação. 

Para Isabel, a regulamentação deve acelerar o atendimento a demandas históricas da população de baixa renda:

“A ampliação do escopo fortalece o papel das microfinanças e permite desenvolver soluções mais adequadas às necessidades dos empreendedores e de suas famílias”.

 IMPACTO

Na ponta, o crescimento do microcrédito se traduz em aumento de renda e fortalecimento de pequenos negócios em todo o país. O acesso ao crédito permite investimentos em estoque, equipamentos e expansão das atividades, com impacto direto na geração de trabalho e renda. 

Esse movimento ocorre em um contexto de mudanças no mercado de trabalho, em que o empreendedorismo se consolida como alternativa para milhões de brasileiros. Nesse cenário, o crédito orientado ganha relevância por oferecer acompanhamento e reduzir riscos de endividamento. 

“O microcrédito responsável é essencial para garantir que o crédito seja uma solução, e não um problema. Em um momento de alto endividamento da população de baixa renda no país, a orientação é fundamental para que esse recurso contribua de fato para o desenvolvimento dos negócios e a autonomia econômica dos empreendedores”, afirma a presidente da ABCRED.





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