GESTÃO

Colaboração demais ou de menos? O desafio das empresas para tomar decisões

16/09/2026 23:04:00

Consultoria chama atenção para um dilema das organizações: quando o excesso de participação passa a comprometer sua velocidade

Colaboração demais ou de menos? O desafio das empresas para tomar decisões

Tomar decisões está consumindo uma parcela significativa do tempo das lideranças, e nem sempre de forma eficiente. Um levantamento realizado pela McKinsey com mais de 1.200 gestores em 91 países revelou que 61% consideram ineficiente pelo menos metade do tempo dedicado à tomada de decisões. Menos da metade dos entrevistados avalia que as escolhas são feitas no momento adequado.

Entre os fatores associados ao problema estão papéis pouco claros, processos complexos e a busca excessiva por consenso, em um fenômeno conhecido como “death by committee”: quando uma decisão passa por tantas pessoas e instâncias que perde velocidade e objetividade.

O DILEMA DA COLABORAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES

O cenário levanta uma provocação para as organizações: será que, em alguns casos, o excesso de colaboração está contribuindo para que as empresas decidam mais devagar?

Para Diego Alegre, CEO e cofundador do Arquipélago, de Florianópolis, consultoria especialista em transformação cultural, o ponto não é reduzir a participação das equipes, mas compreender quando a colaboração efetivamente qualifica uma escolha e quando passa a funcionar como uma maneira de adiar responsabilidades.

“Colaborar para construir uma decisão é uma coisa. Colaborar para não precisar decidir é outra completamente diferente.”

Segundo Alegre, o problema pode estar menos no comportamento das pessoas e mais na estrutura que organiza as relações dentro da empresa. Quando não está definido quem tem autoridade para decidir, ampliar a conversa parece uma solução natural: mais opiniões são consideradas e mais pessoas são envolvidas. O risco é transformar um processo que deveria trazer diferentes perspectivas em uma sucessão de discussões sem uma definição clara.

MAIS COLABORAÇÃO, MENOS TEMPO PARA DECIDIR

O questionamento ganha força diante do crescimento das atividades colaborativas nas organizações. Pesquisas publicadas pela Harvard Business Review, apontam que o tempo dedicado por profissionais a atividades como reuniões, mensagens, chamadas e outras interações cresceu 50% ou mais ao longo de duas décadas. Em algumas organizações, essas atividades chegaram a consumir 85% ou mais da semana de trabalho, fenômeno definido como collaborative overload, ou sobrecarga colaborativa.

Para Alegre, porém, a questão vai além da produtividade.

“Quando uma organização tenta resolver tudo de forma colaborativa, é importante olhar para o sistema que sustenta esse processo: quem participa, quem influencia e, principalmente, quem decide.”

Os próprios dados da pesquisa da McKinsey com mais de 1.200 gestores em 91 países, reforçam essa discussão. Apenas 37% dos entrevistados afirmaram que suas organizações conseguem tomar decisões que combinam alta qualidade e velocidade. O levantamento também mostrou que os respondentes que consideravam suas organizações rápidas para decidir tinham 1,98 vez mais probabilidade de avaliar essas decisões como de alta qualidade.

“Isso não significa que as decisões devam ser centralizadas. O desafio está em definir quais escolhas exigem participação ampla, quais podem ser delegadas e quem terá a responsabilidade final por cada uma delas. Nem toda decisão precisa ser coletiva e nem toda decisão deve ser individual. O importante é desenhar o processo adequado para cada situação”, afirma Alegre.

Ainda de acordo com ele, a proposta do Arquipélago ao diagnosticar culturas organizacionais, por exemplo, é justamente olhar para o sistema por trás dos comportamentos. Em vez de tratar reuniões excessivas, demora ou dificuldade de consenso apenas como problemas de produtividade, a análise realizada pela consultoria busca compreender como responsabilidades, influência e poder de decisão estão distribuídos.

SOBRE O ARQUIPÉLAGO

O Arquipélago – culturas que transformam é uma consultoria especialista em transformação cultural que atua nas tensões organizacionais que comprometem aspectos como direção coletiva, mobilização e capacidade de crescimento. Com atuação baseada na abordagem do Design Estratégico, desenvolve diagnósticos culturais, projetos de ativação da cultura, jornadas de aprendizagem, workshops, convenções e processos colaborativos voltados ao fortalecimento da liderança, da comunicação interna e da capacidade de adaptação das organizações.

Ao longo de sua trajetória, já realizou mais de 500 projetos para mais de 300 clientes de diferentes setores, incluindo cooperativas financeiras, indústrias, empresas de energia, instituições de saúde, educação e organizações do terceiro setor.





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